Energia

Embora sol e vento sejam recursos naturais abundantes em Cabo Verde, a energia é um dos sectores que mais carece de investimento e que, ao fim de mais de 30 anos de Independência, continua a dar imensas dores de cabeça aos sucessivos governos e à população.

O país tem uma dependência quase exclusiva dos produtos petrolíferos e da energia eléctrica, cujas oscilações de preços no mercado internacional colocam o arquipélago numa situação económica muito vulnerável.

Apesar de o Governo ter reassumido a gestão da empresa nacional de electricidade e águas, Electra SA, em 2006, os problemas energéticos, que vão desde apagões regulares na capital do país, passando pelas ligações clandestinas que sobrecarregam a rede, às tarifas elevadas tendo em conta o nível de vida do país, prolongam-se e não faltam vozes a reclamar uma política mais consistente e global para este sector estrutural e determinante para a competitividade económica do país.

Desde 2002, Cabo Verde tem três novas centrais eléctricas: a do Palmarejo, na Praia (mais de 12 Mega Watts), de Lazareto, em São Vicente (7,5 MW) e da Palmeira, no Sal (7,4 MW).


Mais casas iluminadas

O programa de Governo para o período 2006-2011 e o Documento de Estratégia para o sector inclui o aumento da produção na Praia para mais de 20 MW e a construção de uma linha de transporte de energia eléctrica de 60 Kilovolts para o interior de Santiago (financiamento do Japão). Prevê ainda projectos de centrais únicas em determinadas ilhas e a reestruturação da Electra.

Outro objectivo é atingir uma cobertura nacional de energia eléctrica de 95 por cento. Hoje em dia, faz-se luz em 85% das casas cabo-verdianas.


Luz, sol e ondas do mar

Apesar da crise energética, o peso das energias renováveis permanece quase residual. E, curiosamente, é inversamente proporcional à disponibilidade dos recursos: nas dez ilhas, não falta luz solar, o vento sopra forte em boa parte do ano e o mar estende-se pelo horizonte fora, até perder de vista.

Actualmente, o único operador licenciado como produtor independente de energia renovável para o concelho da Praia é a Energias Renováveis de Cabo Verde- ERCV, que injecta cerca de 4,8 megawatts na rede da Electra.

Mas, até 2011, segundo o programa de Governo, haverá uma taxa de penetração das energias renováveis de 25%. Em 2020, se os investimentos forem concretizados, a penetração será de 50%.

O Governo está a procurar apoio financeiro junto dos parceiros de desenvolvimento mais próximos, uma vez que o investimento nas energias alternativas é avultado e apenas rentável no longo prazo.

Portugal abriu uma linha de crédito de 80 milhões de euros para a execução de projectos de energias renováveis no arquipélago, entre os quais se contam uma central solar fotovoltaica, o parque eólico de Santo Antão e a mini-hídrica e solar fotovoltaica no Tarrafal de Santo Antão. Espanha entra com sete milhões de euros para o financiamento do Centro de Energias de Cabo Verde.

Internamente, o Governo adoptou também algumas medidas, como a isenção de impostos para a importação de equipamentos e acessórios para energias alternativas, nomeadamente painéis solares e geradores eólicos.


Água, líquido precioso

Água é outro bem que escasseia num país caracterizado por um clima semi-desértico e com pouca pluviosidade anual. A União Europeia juntou-se ao Governo para melhorar o abastecimento de água potável às populações rurais. O Programa Regional Solar, que consiste no uso de energia fotovoltaica para bombagem de água potável e na criação de novos furos com bombagem solar, vai beneficiar 30 localidades do interior de Santiago e comunidades de São Nicolau.

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