Cultura

A cultura cabo-verdiana resultou do intercâmbio entre dois mundos, o europeu e o africano. Dessas duas culturas, nasceu uma identidade singular e distinta, uma cultura miscigenada, nem européia, nem africana, mas antes uma nova individualidade cultural: a do crioulo.

 

Música
Tal como a língua crioula, a música é uma marca essencial da identidade cultural cabo-verdiana e um factor de união e coesão nacionais. O cabo-verdiano é naturalmente musical. Todos os pretextos são suficientemente bons para reunir amigos e familiares e improvisar uma tocatina, que, muitas vezes, dura um dia inteiro ou se prolonga noite dentro. Os festivais de música, como o Baía das Gatas e o Gamboa, são os eventos mais importantes do calendário cultural do país, atraindo milhares de pessoas e alguns dos melhores artistas nacionais.

Actualmente, a música é também o mais importante cartão de visita que Cabo Verde envia ao mundo. Cesária Évora, a diva dos pés descalços, é a personalidade cabo-verdiana mais conhecida internacionalmente e a maior embaixadora da cultura do arquipélago, levando o seu estilo peculiar, a sua voz quente e as mornas e coladeras aos quatro cantos do mundo. Depois de Cizé, os palcos mundiais abriram as portas a uma nova geração de artistas, bastante influenciada pela composição e genialidade do malogrado Orlando Pantera. Tcheka, Lura, Mayra Andrade já conquistaram uma legião de fãs em França e Portugal, e alguns prémios internacionais como o da RFI-Músicas do Mundo (Tcheka) e o prémio Revelação BBC Radio 3 World Music (Mayra).

Cabo Verde tem inúmeros géneros musicais próprios, destacando-se o batuque (percussão de origem africana, muito ritmada e frenética), a morna e a coladera (expressões musicais poéticas que bebem influências do fado e da música brasileira, e se tocam com guitarra e cavaquinho) e o funaná (gaita e ferrinhos). A Tabanka é outra manifestação popular e tradicional importante, em particular na ilha de Santiago.

 

Literatura
Só se pode falar de uma literatura verdadeiramente cabo-verdiana a partir de meados do século XIX. Inicialmente, os escritores, de Eugénio Tavares a Pedro Cardoso, eram profundamente influenciados pelos modelos da cultura e literatura portuguesa, por sua vez, inspirada no romantismo e no simbolismo.

A expressão literária da cabo-verdianidade arranca, de facto, com um novo período literário, assinalado pela publicação, em 1935, de “Arquipélago”, de Jorge Barbosa, e pela fundação, em 1936, da revista Claridade por Manuel Lopes, Baltazar Lopes da Silva e Jorge Barbosa. É a partir do movimento “Claridade” que a literatura crioula se debruça sobre o universo cabo-verdiano, analisando-o de forma crítica e objectiva. Algumas obras essenciais deste período são “Chiquinho” de Baltazar Lopes, “Flagelados do Vento Leste” de Manuel Lopes e “Xaguate”, de Teixeira de Souza e ainda inúmeros artigos publicados na revista “Certeza”, fundada em 1944, logo após a extinção da “Claridade”.

No início dos anos 50, uma nova geração de escritores entra em ruptura com a temática dos Claridosos, libertando o discurso da sua condição colonial. Desse grupo de autores, destacam-se Oswaldo Osório, Mário Fonseca, Germano de Almeida e o poeta Arménio Vieira, vencedor do Prémio Camões, em 2009, e, porventura, o mais universal dos autores cabo-verdianos.

 

Artes plásticas
A pintura cabo-verdiana é, em geral, simbólica, embora tenha alguma influência da arte africana, evidenciada, sobretudo, pela vivacidade e pelas cores garridas. O Mindelo e a diáspora (francesa e portuguesa) são os principais viveiros de artistas plásticos cabo-verdianos. Tchalé Figueira, Manuel Figueira, Luísa Queirós, Misá e os Rabelados, e Mito Elias são alguns dos autores mais reconhecidos dentro e fora de portas.

 

Teatro e dança
No Mindelo, realiza-se anualmente um dos mais importantes festivais africanos e lusófonos de Teatro, o Mindelact.

Na dança, destacam-se as manifestações de carácter tradicional: batucadeiras, tabanka, mazurka. Os Raiz di Polon, um grupo contemporâneo, criado em 1991, reinventou estas expressões tradicionais. As suas peças têm sido apresentadas, com freqüência, um pouco por toda a Europa e África. Em Cabo Verde, os bailarinos deste grupo organizam, regularmente, workshops de dança, desenvolvendo um trabalho pioneiro de promoção da dança contemporânea.

 

Artesanato
A arte etnográfica cabo-verdiana é uma resposta engenhosa dos homens e mulheres do arquipélago face às dificuldades impostas pela natureza (parca vegetação, carência de água potável, escassas chuvas). No meio rural e agrícola, os artefactos em cestaria e olaria são ainda muito usados para o transporte e armazenamento de bens agrícolas e de água. O pilão sobreviveu ao passar dos tempos e é ainda uma ferramenta vital para triturar milho e café.

Na tecelagem, o objecto com maior valor simbólico é o panu di terra (faixa estreita de tecido unido por seis bandas e decorado com padrões tradicionais), utilizado, hoje em dia, como peça de decoração e de vestuário e nas danças tradicionais, como o batuque.

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