Agricultura

Cabo Verde possui pouco recursos naturais para desenvolver a agricultura. As terras aptas para a agricultura são estimadas em 44.531ha (Recenseamento Geral Agrícola 2004) dos quais 90,8% são exploradas sob regime de sequeiro, 7,8% de regadio, e 1,3% são de regime misto de regadio e sequeiro e estão concentradas metade na ilha de Santiago. As produções anuais são aleatórias, em função das condições climáticas, e variaram, desde 2000, entre 4.116 ton e 24.341 ton para o milho e 955 ton e 7.310 ton para os feijões. Os rendimentos médios são fracos, na ordem de 300 kg/ha e de 90 kg/ha, respectivamente para o milho e os feijões. A produção agrícola de sequeiro é pouco diversificada: no entanto, na zona húmida e sub-humida, a integração das culturas hortícolas, raízes e tubérculos e árvores fruteiras nos sistemas de exploração, aumentou consideravelmente no decorrer da última década, numa lógica de complementaridade Num ano médio, a produção cobre apenas 30% das necessidades em milho e 16% das necessidades em tubérculos. A produção agrícola não representa mais que 10 à 15 % das necessidades alimentares do país.

O sector irrigado limita-se a 3.476 ha, em zonas de micro-perímetros essencialmente irrigados por gravidade a partir de nascentes, ou de captação através de poços ou de galerias. Praticada nas encostas e em socalcos/terraços ou nos terrenos mais planos nos fundos das ribeiras ou planaltos, a irrigação é efectuada com intervalos de rega muito espaçados (mais de 15 dias para 96% das superfícies). Uma falta de eficiência dos canais de rega é observada com perdas importantes nas parcelas. As culturas irrigadas são a cana de açucar, a banana e culturas hortícolas. Existem igualmente, algumas produções especializadas, tais como o café (30-50 ton/ano), o vinho (45-60.000 l/an) e o  grogue (12.500 hl/an).

As florestas são constituídas sobretudo de Prosopis julifloria, Parkinsonia aculeata e diversas Acaciae, cobrem 75.000 ha. Estas áreas estão localizadas nas zonas escolhidas em função de critérios técnicos e da disponibilidade de mão-de-obra, sem ter em consideração o aspecto fundiário (propriedades privados ou do estado). Este procedimento cria problemas ligados à exploração das plantações adultas, realizadas pelo Estado nas terras privadas com o objectivo de preservar o ambiente do país.

O défice em madeira para combustível e para construção é importante. Para 60 % da população, a madeira é o principal combustível. O consumo médio é de 0,52 kg/hab/dia seja  79.000 toneladas bruto por ano.

Os efectivos do gado estão estimados em 2004 para os bovinos (22.306 cabeças) os caprinos (148.094 cabeças) os suínos (77.316 cabeças) aves (343.120 cabeças). O sector fornece a quase totalidade do consumo actual em carne (13,5 kg/hab/ano). A pecuária é responsável por 30 % das receitas de uma exploração sem parcelas irrigadas num ano médio. Três quartos do efectivo bovino são criados na ilha de Santiago. Mais de 70 % das famílias possuem pequenos ruminantes dos quais 75 % dos efectivos estão concentrados nas ilhas de Santiago, Fogo e Santo Antão. A pecuária tem um papel importante na poupança das famílias para os diversos riscos, festas, investimentos e muitas vezes para financiar as passagens dos que emigram.

 

Um país condicionado pelo clima

Há um défice forrageiro estrutural mesmo em anos de pluviometria "normal". Em ano de seca, a taxa de cobertura das necessidades é da ordem dos 30%. Os subprodutos da agricultura irrigada, constituem um aspecto não negligenciável para um equilíbrio alimentar frágil. Enfim, os fortes constrangimentos limitam igualmente a exploração racional dos recursos forrageiros. A maioria das famílias possui aves. O desenvolvimento de grandes unidades de pecuária tem-se tornado difícil devido a problemas logísticas criados pela insularidade (alimentos e reprodutores importados)

A situação fundiária é caracterizada por um forte emparcelamento das terras. Em média, cada exploração agrícola familiar dispõe de 1,26 há de área cultivável. No sequeiro, esta média é de 1,19 ha, no regadio de 0,46 há.

O ambiente cabo-verdiano é caracterizado essencialmente por um desequilíbrio ecológico originado pela degradação da estrutura dos solos e a destruição do coberto vegetal. A conjugação da seca, a erosão eólica e hídrica e a pressão dos homens e do gado tem um impacto severo sobre as potencialidades em recursos naturais e sobre sua exploração. A escassez dos recursos naturais disponíveis levam a considerar como primordial e urgente as acções preconizadas com vista a sua preservação e sua exploração racional

Os maiores constrangimentos que limitam o aumento da produção agrícola e da pecuária em Cabo Verde derivam principalmente da sua grande dependência vis-à-vis das condições climáticas, da disponibilidade de água e o melhoramento dos solos. A natureza essencialmente extensiva da agricultura caboverdiana limita os rendimentos agrícolas obtidos das raras terras cultiváveis e freia igualmente as possibilidades de melhorar as técnicas culturais e de diversificar as produções.

Acrescenta-se igualmente a estes factores a degradação permanente do ambiente provocado pelos factores climáticos e a densidade da população nas zonas potencialmente agrícolas. As secas persistentes perpetuam um desequilíbrio ecológico devido a degradação da estrutura dos solos e destruição do coberto vegetal.

A posse da terra por pessoas muitas vezes residentes no exterior, a ausência de regras jurídicas regendo as relações entre os utilizadores e os proprietários limitam as iniciativas de investimentos e a melhoramentos fundiários, e criam problemas para a exploração de investimentos de interesse colectivo.

A política de desenvolvimento agrícola de Cabo Verde inscreve-se no quadro global das novas opções nacionais cujos objectivos são (i) a salvaguarda dos equilíbrios macroeconómicos, (ii) assegurar as condições de existência sustentáveis das famílias e da comunidade local, (iii) contribuir para a segurança alimentar e nutricional do país, e (iv) contribuir para a preservação do ambiente. Visa implementar acções vigorosas para mitigar/diminuir os constrangimentos que afectam o desenvolvimento do país, a modernização e a viabilização das explorações agrícolas em aumentando sua produtividade e em melhorando as condições de vida e o nível de educação das populações rurais e em favorecendo a criação de uma rede de privados actuando no mundo rural.

Fonte: PADA

Copyright © 2020 Cabo Verde Development Gateway. Todos os direitos reservados.
Joomla! software livre. Licença GNU GPL.